A história da Hipnose – Momentos marcantes do Egito a atualidade

Por Equipe HPVB em

História da Hipnose | Descubra a origem da Hipnose e o Caminho até os dias atuais | Hipnose para Viver Bem

Se você chegou nesta matéria sobre a história da Hipnose é porque tem interesse no assunto e quer entender a origem da Hipnose e seu caminho até os dias de hoje, certo?

Para começar, se você ainda não leu, indicamos a matéria O que é Hipnose: Definições e Linhas da Hipnose para introduzir você no mundo da Hipnose.


A Hipnose – Quando Começou?

A verdade é que a Hipnose esteve presente em grande parte da história da humanidade.

Durante muitos anos a Hipnose esteve conectada com mistérios, rituais e superstições.

Por isso, é válido conhecer a história da Hipnose, entender sua origem e toda a trajetória até os dias de hoje.

Assim, evitando cair nos mitos da Hipnose.


História da Hipnose | Descubra a origem da Hipnose e o Caminho até os dias atuais | Hipnose para Viver Bem

A história da Hipnose na Antiguidade

É isso mesmo que você leu, a Hipnose está em alta nos dias de hoje, mas, sua origem começou muito tempo atrás.

Sabe-se que nas culturas antigas a Hipnose era usada, em geral, por sacerdotes.

Os sacerdotes egípcios, babilônios, gregos, tibetanos, entre outros usavam de técnicas hipnóticas para a cura de dores e doenças em seus rituais. 

Entretanto, várias coisas evoluíram desde os tempos antigos, logo, a Hipnose de antigamente não é igual a atual.


A História da Hipnose no Egito Antigo

No Egito Antigo tinham os chamados “Templos dos Sonhos”, nestes templos os sacerdotes induziam as pessoas a um certo estado hipnótico.

O objetivo desta Hipnose era curar doenças e males.

O 1° registro escrito que se sabe sobre Hipnose está nos Papiros de Ebers.

Uma coletânea de antigos escritos médicos, onde era descrito como aliviar a dor e diversas doenças, assim, o conhecimento não se perdia.


O Papiro de Ebers é um dos tratados médicos mais antigos e importantes que se conhece, sendo datado de aproximadamente 1550 a.C.

A História da Hipnose na Europa

Saímos então do Oriente Médio, lá do Antigo Egito e daremos um pulo para o Ocidente.

Mais precisamente na Alemanha, por volta de 1700, onde um Padre que era um tanto teatral, fazia curas em milhares de pessoas.

Padre Gassner descrevia seu método de cura como um processo de exorcismo, para assim, ter o aval da igreja.

Nas descrições históricas das sessões de cura do Padre, restam claros diversos elementos hipnóticos, entretanto, com outros nomes, afinal, o Padre precisava ter a aprovação da igreja, até porque não se tinha muito conhecimento dos processos da Hipnose, bem como, o nome Hipnose nem havia sido cunhado ainda.


O Magnetismo e sua relação com a história da Hipnose

Ainda no século XVIII, surge em Viena, na Áustria, Franz Anton Mesmer, um médico que apresenta uma teoria chamada Magnetismo, depois conhecido como Mesmerismo, por causa de seu criador.

Para Mesmer, as doenças eram originadas de uma frequência irregular dos “fluídos astrais” e a cura dependia então, da regulagem desses fluídos.

Com uma vara de metal, Mesmer tocava nos pacientes, gerando uma corrente magnética que provocava convulsões terapêuticas, o que foi suficiente para chamar a atenção da elite europeia, a imprensa fez o resto e espalhou a notícia de curas magnéticas espetaculares.


O sucesso e o declínio de Mesmer

Eram tantos pacientes que ele já não conseguia mais atendê-los individualmente, Mesmer então começou a realizar círculos de cura, onde quase 30 pessoas se reuniam em um ambiente escurecido, com um música suave ao fundo de maneira que as pessoas tinham convulsões terapêuticas e eram então, curadas, um método realmente engenhoso de hipnose por sugestão indireta.

O mesmerismo se espalhou pela Europa e fez um sucesso imenso em Paris, onde toda a aristocracia francesa queria participar das curas coletivas.

Mesmer não agradava os médicos da época e em 1784 o Rei da França Luís XVI instituiu uma comissão de sábios para investigar a natureza do mesmerismo, a comissão era composta por três figuras eminentes da ciência na época: Lavoisier, Bailly e Benjamin Franklin.

Ele se negou a demonstrar o mesmerismo para a comissão, de modo que eles se limitaram a ver as demonstrações feitas por seus alunos.

O parecer final da comissão foi condenando o mesmerismo como fraude, disseram eles, que não sentiram nada ao participar das demonstrações.

Apesar de ter gerado efeitos em centenas de pessoas ao longo dos anos, Mesmer foi desacreditado após o parecer da comissão e taxado como fraude, abandonou Paris e viveu isolado até a sua morte.

Para os interessados no Magnetismo, que mesmo com diversas diferenças, tinha elementos hipnóticos e por isso, faz parte da história da Hipnose, recomendamos o filme Dr. Mesmer – O Feiticeiro (1994), onde Alan Rickman, conhecido pelo seu papel de Professor Snape, na saga Harry Potter interpreta Mesmer.


Chega de convulsões – Sonambulismo Magnético

Apesar de alguns descrentes, Mesmer ao longo de sua vida teve uma legião de fãs e discípulos.

Um dos mais influentes foi o Marquês de Puységur que com um novo método, deu um basta as convulsões.

Afinal, enquanto Mesmer defendia que as convulsões e crises histéricas eram essenciais para a cura, o Marquês desenvolveu o Sonambulismo Magnético ou Sonambulismo Artificial.

Ele ainda acreditava no magnetismo, porém, era possível curar as pessoas em um estado hipnótico agradável, de repouso.

Neste estado novo, não existe necessidade de dor, sofrimento, pelo contrário, o paciente experimenta uma sensação de paz e tranquilidade, o que se perpetuou e é presente na Hipnose Moderna.


Abade Faria e o Poder da Sugestão

Em Paris, em plena revolução, aparece a figura de Abade Faria.

Um jovem padre português, que conheceu o Marquês de Puységur e estimulado por ele se entregou de corpo e alma a carreira do Hipnotismo.

Abade é conhecido por avançar cientificamente em muitos pontos.

É importante ressaltar que até aqui, a História da Hipnose estava ou atrelada a espíritos e exorcismo ou então a ideia de fluído magnético de Mesmer.

Abade Faria foi o primeiro a ir além e se aproximar do entendimento atual da Hipnose.

Ele afirmou que os fenômenos hipnóticos aconteciam não por causa de um fluído e sim devido à imaginação das pessoas e as sugestões dadas a elas ao longo do processo.

Abade foi além, tirou o manto de misticismo da Hipnose e reconhecia o lado subjetivo da Hipnose, com efeitos sendo decorrentes do sujeito e não de uma força do Hipnotizador.

Não é incrível?

Quando falamos do poder da sugestão, o nome de Abade Faria é muito importante e fez diferença na história da Hipnose.


Esdaile: A Hipnose e Anestesia

Imagine uma época onde cirurgias eram feitas sem efeitos anestésicos.

O éter e o clorofórmio ainda não eram conhecidos como agentes anestésicos.

Nesta época, os pacientes sofriam de dor, sendo contidos por assistentes, até que a cirurgia acabasse.

James Esdaile, um jovem cirurgião escocês merece destaque na história da Hipnose.

Embora não tenha criado um método novo ou uma escola de Hipnose, Esdaile merece destaque na luta pelo reconhecimento da Hipnose como elemento valioso nas cirurgias.

Esdaile fez diversas cirurgias usando apenas a Hipnose como anestesia, principalmente amputações que eram muito comuns na época e, em geral, feitas sem nenhum tipo de preocupação com o bem-estar dos pacientes que sofriam com dores terríveis.


James Braid e a palavra Hipnose

Por volta de 1840 apareceu o homem que marcou o fim do magnetismo e cunhou o termo Hipnose, o Dr. James Braid, um cirurgião de Manchester.

Braid era um cético, alguém que não acreditava na Hipnose e nas demonstrações feitas por toda Europa, até então, com o nome de magnetismo ou mesmerismo.

Segundo historiadores, Braid tinha alma de cientista.

Aliás, foi só após assistir muitas demonstrações que se convenceu do fenômeno, mas, não da explicação que era dada para ele.

Passou então a estuda-lo afim de encontrar uma resposta mais científica para os efeitos hipnóticos obtidos.

Foi então, que James Braid, assistindo a um famoso magnetizador suíço chamado Lafontaine, onde viu que ele usava a fascinação ocular para induzir o transe.

Assim, criou a teoria de que os efeitos hipnóticos eram criados pelo cansaço visual, aliás, até os dias atuais muitos usam o cansaço ocular como forma de induzir a pessoa a um estado hipnótico.

Braid dizia que o transe era parecido com um estado de sono, por isso, criou a palavra hipnotismo, do grego hypnos (sono).

No final de sua carreira Braid percebeu que o cansaço ocular não era necessário para gerar efeitos hipnóticos, afinal, era possível hipnotizar pessoas cegas.

Além disso, percebeu também que Hipnose não tinha relação com sono bem com, muitos dos processos hipnóticos acorriam sem a pessoa entrar em um transe profundo.

Braid até tentou mudar o nome, mas, o termo Hipnose já estava difundido mundialmente.


Charcot e a volta do Magnetismo

Charcot é um nome famoso na história da Hipnose.

Ele lidava com histéricos e histero-epilépticos e estabeleceu a premissa de somente histéricos podem ser hipnotizados.

Dizia ele que o estado de hipnose era um estado de histeria.

Além disso, Charcot voltou a falar sobre a ação magnética e acrescentou uma teoria metálica relacionada ao hipnotismo.

Segundo essa teoria, a cura de certas doenças dependia do uso correto dos metais.

Apesar de vários estudiosos da Hipnose na época focarem na questão da força da sugestão, Charcot seguia na ideia dos metais e é daí que surge a expressão “retroceder a Charcot”.

Mas, não foi só por isso que Charcot tem seu nome marcado na história da Hipnose.

Sua teoria mais reconhecida é a dos três estágios hipnóticos: a letargia, catalepsia e o sonambulismo.


Freud e a Hipnose

Assim como Mesmer teve diversos alunos, fãs e seguidores, com Charcot não foi diferente.

Um de seus alunos mais famosos, foi Sigmund Freud, que baseou muito de sua Teoria Psicanalítica em dados obtidos de participantes enquanto estavam hipnotizados.

É importante ressaltar que a Hipnose na época de Freud era muito diferente da Hipnose moderna que surgiria com Dave Elman e Milton Erickson.

Freud, então, buscando uma técnica mais adequada e efetiva para ele, criou a associação livre de palavras.

E apesar de pessoas falaram sem muito conhecimento que Freud detestava a Hipnose ou que houve uma briga entre ele e Charcot, isso carece de provas.

O que ocorreu foi uma questão de preferência, Freud preferiu outras técnicas, em relação à Hipnose.

Os motivos podem ser diversos, como o uso exagerado de charutos que geraram problemas em sua voz, ou o simples fato de que ele não se dava muito bem com a Hipnose, como disse o próprio Freud “Quando constatei que, apesar de todos os meus esforços, só conseguia colocar em estado de hipnose uma pequena parcela de meus doentes, decidi abandonar esse método” (Freud apud Chertok, 1990).


A Hipnose Clássica e Dave Elman

Após passear por toda a história da Hipnose, nos aproximamos dos tempos atuais.

Chegamos a Dave Elman (1900-1967), conhecido como pai da Hipnose Clássica.

Ele ficou famoso por seu método de indução rápida, também adaptado para uso de profissionais médicos.

Elman foi o responsável por conduzir a 1ª cirurgia cardíaca de tórax aberto usando apenas a Hipnose como anestesia.

Ele é autor do livro Hypnotherapy, a maior fonte sobre a Hipnose Clássica.

Com 49 anos decidiu se tornar autoridade no ensino da Hipnose e criou um curso.

Em pouco tempo se tornou o mais conhecido e bem-sucedido professor de Hipnose da América, tendo ensinado milhares de profissionais em todas as cidades grandes dos Estados Unidos


Milton Erickson e as sugestões indiretas

Paralela à Hipnose Clássica de Dave Elman surge Milton Erickson com a Hipnose Ericksoniana.

Enquanto a Hipnose Clássica é notável por sugestões diretas, a Hipnose Ericksoniana é diferente.

Tem como característica principal o uso de sugestões indiretas, menos prováveis de encontrar resistência.

Milton Erickson (1901-1980) foi um médico psiquiatra especializado em terapia familiar e Hipnose.

Ele é considerado um dos hipnoterapeutas mais influentes da história moderna da Hipnose, publicando diversos livros e artigos científicos na área.

Sua terapia era repleta de metáforas, histórias e métodos pouco comuns para a época.

Milton Erickson teve vários problemas de saúde ao longo de sua vida.

Aliás, Erickson usava a Hipnose em si mesmo (Auto-Hipnose) para controlar suas dores e por isso tornou-se especialista no tratamento de dores crônicas.

Erickson é inspiração para muitos terapeutas e pacientes, estudando sua história percebe-se que quase tudo é possível com dedicação e uma imaginação vívida.


História da Hipnose – Uma conclusão

A Hipnose existe há muito tempo, hoje os campos de aplicação da Hipnose são vastos.

Hoje em dia ela está em áreas da saúde, em terapias, bem como segue sendo usada em cirurgias, como anestesia para pessoas com risco do uso de anestésicos convencionais.

Mas, a Hipnose vai muito além da saúde.

Hoje temos hipnose nas empresas, ajudando tanto na gestão de equipes, bem como elevando os resultados dos setores que envolvem comunicação.

A Hipnose também está presente na educação, ajudando professores, entre várias outras áreas de atuação.


De modo geral, onde há comunicação, tem espaço para Hipnose.

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